segunda-feira, 5 de agosto de 2013

Filme fora de controle ( Resumo) PSIOT


O filme Mostra uma situação que foge ao controle dos protagonistas.  Os protagonistas principais do filme: Gavin Banek, um adovogado e Doyle Gipson, um Pai em busca de uma causa na justiça para manter seus filhos por perto, Um homem em processo de separação e com o caso na justiça.  Eles se encontram num engarrafamento cotidiano por meio de uma batida de carros.
Ambos estão atrasados e indo ao mesmo fórum. Após a batida de carros, começaram a falar sobre a batida e o que poderia ser feito para resolver o problema posto ali. O advogado, com uma causa milionária de uma fundação beneficente a qual o seu próprio sogro e chefe  o confiou  por acreditar em seu potencial. Doyle, um homem simples e sensato. Busca ir ao fórum na tentativa reconciliar-se com a mulher. Ele tinha planos de comprar uma casa por perto para que ela não se mudasse pra longe, o que estava prestes a fazer, e para que ele tivesse seus dois filhos por perto. E quem sabe até reconciliar com ela ao ponto de voltarem a morar juntos.
Eles se veem diante da falta de tempo. Gavin atrasado e tendo que apresentar os documentos necessários ao exito do processo que tinha em mãos, Doyle atrasado para a audiência que estava quase começando. O carro do advogado, Gavin, estava em condições de chegar ao fórum tranquilamente, como o fez, mas no caso de Doyle foi diferente, Ele além de n tem como chegar, já que o carro estava danificado, tentou pedir carona a Gavin, que nem o ouvia direito, somente quis dar o dinheiro a ele para consertar o carro e foi embora. Negou socorro no acidente e ainda fui embora sem pegar o contato da outra parte envolvida no acidente.
Doyle perdeu momentaneamente a causa por chegar atrasado e ser tido como irresponsável diante do juizado e da esposa.  A falta de pontualidade o impediu de ser ouvido como ele poderia. Ele tinha vontade de reconciliação e estava provendo meios para tal finalidade. Porem o acidente mudou tudo.
Gavin Chegou ao tribula, teve uma boa colocação frente ao caso, o que mostra sua experiencia em casos como aquele. Porém não tinha o ultimo documento e mais importante para conseguir fechar o caso e ter vitória. Essa pasta fundamental ficou nas mãos de Doyle, tinha ficado no lugar do acidente, em meio a confusão e a pressa. Gavin teria, por determinação judicial, até o fim do dia para apresentar o documento. Caso contrário poderia até ser processado pela outra parte e ser preso.
Então A situação extrema mostra até onde pode ir um homem quando a necessidade, o sucesso e o dinheiro,  estão em jogo. Doyle é um homem bom, tranquilo, Apesar de Beber, de ter um vicio, porta-se de maneira honesta e verdadeira para si, além de ética e prática do que ele realmente acredita. È um homem que segue seus valores, e além disso quer “fazer a coisa certa”, como ele mesmo diz. Um homem experiente e ético. Gavin é um advogado inconsequente, rico, manipulador, corrupto e desesperado em alguns momentos. Ansioso ao extremo, não conseguiu ter uma conversa que poderia ser decisiva. Se eles conversassem um pouco mais na hora do acidente tudo poderia ter um outro caminho. Contudo ele foi precipitado e ansioso, Apesar de perspicaz e corajoso, foi antecipado nas suas decisões, o que o colocou em uma forca.
As dimensões éticas foram colocadas na mesa naquele momento. O fazer a prática, vem nesse momento mostrar o quando uma decisão ética, tomando suas proporções epistemológicas, funcionais e práticas, além das leis correntes do momento histórico e a utilidade prática podem ser essenciais em uma hora de decisão. Além do mais o que uma decisão Não ética para evitar uma possível burocracia pode gerar, como uma “bola de neve” como consequência. As causas e efeitos são discutidas de maneira sutil, E de fato, o que é a realidade senão um processo também de escolhas entre os múltiplos caminhos da vida?
Saber ouvir o outro, ter atenção com as demandas alheias, saber ter paciência, calma, compaixão, simplicidade, empatia etc podem ser de fato peças primordiais para uma postura prática de sucesso, não o sucesso capitalista, não de maneira metonímica. Mas um sucesso que é ético e nem sempre emergencial, nem sempre pra já, nem sempre acelerado, nem sempre superficial, nem sempre corrupto... Um sucesso muitas vezes às margens de um mundo capitalista e veloz. Contudo muitos sucessos serão, de fato, éticos e positivos no sentido capitalista.

Eis uma boa bela história para se discutir, cotidiano, posturá ética e prática, trabalho, relações pessoais, esculta do outro, dentre outros. Como também uma crítica à burocracia e  à emergência, juntas, como maneiras de ao favorecer a ética nas relações de trabalho,  conduzir ao, “é pra já” e corrupção e não ética no trabalho e nas relações pessoais.

sábado, 13 de julho de 2013

Trabalho de síntese de Psicologia Organizacional e do trabalho

UNEB – DEDCI
PSICOLOGIA ORGANIZACIONAL E DO TRABALHO
DOCENTE: ANTONIO CARLOS SALES ICÓ
DISCENTE: GABRIEL REVLON SEABRA


Trabalho de síntese de Psicologia Organizacional e do trabalho.

        A relação do homem com o trabalho é antiga e há quem diga que humanizadora. O homem, então, é homem que se constitui e é constituído exercendo trabalho como também vivenciando às relações do trabalho.
        A relação como trabalho é antes de ser de consumo: de produção e de relação. O homem se relaciona com a natureza por meio do trabalho. Gasta energia em prol de modificar o meio, por manter sua subsistência, por investis em sua satisfação pessoal ou de outrem, por produzir: arte, ciência, filosofia, por devanear ou até mesmo por divertir-se. O trabalho é conceituado em física, ou seja, em reflexão com a natureza, onde o gasto de energia potencial pode gerar trabalho, desde o deslocar de um objeto em uma pequena distância até a conversão de energia petroquímica em aceleração de um motor de automóvel ou de uma aeronave, por exemplo.
       Quando exerce o trabalho, desde a infância, o homem se relaciona com o que lhe é visível e que não o é. E dessa maneira, trabalhando a natureza exterior e natureza de si, constitui-se , pois assim aprende como relacionar com os diversos objetos, sejam materiais ou intelectuais. A construção de uma casa, por exemplo, demanda uma série de reflexões e ações que necessariamente perpassam o trabalho. A reflexão, o limpar do terreno, o projeto arquitetônico, a formação das bases da casa, o colocar dos tijolos etc. Assim como a morada e manutenção da casa demandam trabalho.
        Para a psicanálise, teoria freudiana, o homem desloca a sua libido, que a principio tem relação intima com o prazer sexual, energia potencial à realização de processos que podem ser chamados de sublimação. A sublimação é uma via de acesso da libido para realização não necessariamente sexual, mas sim de produção, seja cientifica, seja artística, seja intelectual de outra ordem, etc. Por meio da sublimação podemos construir uma civilização, para Freud, podemos ser culturais. Contudo muito ainda é questionável nessa grande teoria, que é prática também, no que se chama clínica analítica. Questionável por ser universal, por afirmar que todo homem civilizado passa por processos desde a infância até a fase adulta por processos similares. A antropologia, por exemplo, questiona a validade cultural da teoria, contudo sua prática ainda a deixa em evidencia, principalmente pelos resultados gerados, pelas práticas e pelos caminhos de apropriação do saber humano utilizado pela psicanálise.
      A arte é também é uma maneira de se relacionar com a natureza, com o corpo, com os sentimentos, com o outro, e essa relação se constitui também pela dimensão do trabalho. Ter uma idéia, projetar um instrumento musical, fazer escalas musicais, fazer música, tocar alguém com a intenção de uma música, tudo isso é muito humano e também perpassa o agir, a ação que é do trabalho.
      O mito de Sísifo, da mitologia Grega, Descrito por Albert Camus, fala dentre outras coisas do trabalho árduo e repetitivo de um homem que foi condenado pelos deuses. Sísifo empurrava uma pedra para cima em uma montanha por toda sua vida para quando chegar ao final ela descer novamente. É uma sentença de vida direcionada ao trabalho sem sentido real em sua vida, mas sim da punição de deuses que tinham poder sobre sua vida. O trabalho inútil e repetitivo era feito por manter uma vontade alheia, um trabalho alienado a outrem.
      Para Hegel, na dialética, o homem é senhor e escravo. O senhor tem a posse do desejo do outro e o escravo é inebriado por esse desejo, é enfeitiçado a exercer um trabalho de submissão em prol de um desejo que nunca será realizado e que gera escravidão. Nessa dialética tanto o senhor constitui o escravo quando o contrário. Haveria senhor se um escravo? Creio que não, logo, essa relação é necessária e fundante de ambas as partes na relação.  Uma relação é a via de acesso mutuo, mesmo que para gerar prazer, desprazer, amor, dor, etc. Então como se justificaria a manutenção de duas condições tão Extremas? O desejo de si, que na verdade é desejo de outrem. A alteridade gera a identidade de si, até porque pela disposição de um diferencial pode-se constituir-se semelhante em humanidade. Ou seria em sociedade, já que a sociedade é também um lugar de realização da alteridade, ou seja, do relacionar-se com outro. Um dos grandes legados da filosofia Hegeliana foi a de nos mostrar que o motor de uma relação tão extrema entre o senhor e o escravo é o desejo. O desejo que não é realizável, é apenas desejo. Logo muitas das condições de submissão podem ser justificadas no trabalho por um determinante que muitas vezes é além de ilusório, uma demanda deslocada de uma necessidade básica do humano em seu processo de humanização, o desejo do outro e a consciência de si, quem estão intimamente ligados e que tem um potencial de ser não apenas humanizar, mas de manutenção de um sistema escravização entre humanos, de exploração do outro pelo trabalho, de alienação do outro em prol de algo alheio e, portanto, do esforço repetitivo e perpétuo, sem chegar a lugar nenhum. O desejo não é realizável, é apenas desejo.
       A produção de um bem material ou intelectual demanda um caminho de produção e uma finalização do produto. Em ciências não foi diferente. Por meio do pensamento filosófico o homem cria uma hermenêutica e assim desenvolve um caminho chamado científico. Descartes nos deixou o legado para a ciência moderna, se não redundância dizer moderna como adjetivo de ciência, não por semelhança das palavras, mas por ser uma condição necessária. A ciência é a modernidade são coincidentes. Descartes nos ensinou a fazer ciência por meio do pensamento filosófico, ou seja, desenvolveu o que chamamos caminho de investigação e produção de conhecimento científico. O método científico é justamente esse caminho que fazemos, um caminho filosófico ou até mesmo epistemológico de interpretação e aplicação. Para Descartes, a matemática é a prova real de fidedignidade científica, pois como é uma filosofia que se pode ser comprovada por meio de abstrações, métodos, formulações e resultados precisos ou quase precisos, pode comprovar a validade do que antes era apenas suposição e crenças sem comprovação exata, inexata ou quase exata.
       A modernidade é um dos legados de Descartes para a humanidade. Na modernidade, com o método cientifico se produziu e ainda se produz muitas interpretações práticas da filosofia. A modernidade não é se expressa apenas da produção do saber científico, mas em diversas esferas de relação do homem com a natureza e em sua inter-relações. O sistema econômico e social, por exemplo, de transição do feudalismo para o capitalismo até afirmação do sistema capitalista de produção influenciou e ainda o faz na dimensão do trabalho. Se um sistema de entendimento do mundo e produção mudam, isso vai certamente mudar o imaginário humano e criar novas maneiras de viver, na verdade reconfigurações do que já é descrito   na filosofia e que é atualizado a cada momento.
     A transição do feudalismo para o capitalismo forjou o homem moderno em sua relações modernas. Com a ascensão das ciências interpretativas da matemática, tanto nas ciências chamadas hoje de naturais, humanas, e até mesmo da arte, e da comprovação metodológica desenvolvemos e produzimos conhecimento e deixamos o legado de continuidade dessa vontade de conhecimento e interpretação da natureza às gerações futuras.
     A ascensão do capitalismo fez dos burgos e dos burguês os proprietários do conhecimento cientifico e filosófico, como também do novo sistema de produção, capitalista, que tem o consumo como uma mas molas de sustentação. Consumo pode ser visto assim como o desejo, como algo até mesmo natural no processo de relação do homem com a naturaza. Mas essa dimensão, assim como a do desejo foram transladadas ao lugar do ilusório. No capitalismo consumimos mais do que precisamos, na verdade não trabalhamos, ou fazemos coisas por subsistência ou por prazer simplesmente, ou seja, o consumo é no sistema capitalista uma medida da necessidade projetada em um sistema, digamos, sisífico, fazendo referencia ao mito de Sísifo, onde o fazemos mecanicamente, sem propósito, as vezes, e por manutenção de algo que é invisível,  e que nos é prometido, uma doce ilusão. A ilusão que é também do desejo. Consumir é uma necessidade no sistema capitalista, mesmo que isso seja uma força contraditória ao esforço pelo prazer ou o esforço por satisfação pessoal. Na verdade é sim um trabalho alienado a outrem.
       O excesso é um dos resultados do processo de produção no capitalismo. E, então, o que fazer com esse excesso?  O excesso é consumido pelas pessoas à medida que a atualização e a defasagem dos produtos faz parte de uma dinâmica ilusória, mas com cara de real e necessária.  O capitalismo gera necessidades do desejo e defasa os objetos de consumo para que a produção em excesso seja lucrativa. Consumimos bens materiais , hoje, também intelectuais. Bens de consumo são bens materiais ou potenciais de consumo. Bens materiais podem ser tanto objetos como um computador, por exemplo, ou uma formação técnica para trabalho em uma empresa. Bens potenciais são os serviços, força de trabalho, potencial de trabalho, ou seja, o potencial capital que existe em uma possibilidade de se prestar ou receber um serviço.
       As organização, instituições  que se mantém de maneira organizada e  se gere e é gerida na medida em que se comunica com o ambiente social  e, portanto, humano, se fundamenta no modelo de produção capitalista, logo, pressupõe-se que os modelos de produção e consumo assumem e tem resultados no processo de produção de excessos, alienação do individuo, considerando indivíduo um conceito de homem que produz e é produzido no sistema capitalista, e o lucro como finalidade.
       Considerando-se os modelos de produção, Taylorismo, Fordismo e hoje Toyotismo, em algumas organizações, Nos especializamos cada vez mais no trabalho. O Artesão antes fazia todo o processo de construção de um objeto de consumo. Um sapato, por exemplo, era todo produzido pelo artesão. Com a divisão do trabalho o que era produzido pelo artesão agora é especializado, produzido por partes. Isso é benéfico ao capitalismo, pois quem é especialista em solas de sapatos não faz um sapato inteiro, mas pode produzir muitas solas em um determinado período de tempo. Com isso se produz mais, porém quem produz quase sempre não domina todo o processo, especializa-se e produz mais. Então com as aplicações da física nas múltiplas interpretações matemáticas do trabalho, o homem começa a produzir em máquinas. Joule, cria a maquina a vapor. O homem aprende a transformar energia térmica em trabalho, ou seja, transformação de modalidades diferentes de energia. Esse foi o primeiro de muitos passos largos. Ford inventou o motor a base de combustível fóssil. Eis a ascensão do consumo de petróleo nas fábricas e novas formas de se produzir por meio do trabalho. O uso de computadores, robores e internet já nos leva para outro rumo de produção e relação com o trabalho. Mas essencialmente fazermos ainda o ciclo excessivo do capitalismo.
       O trabalhador vai todos os dias para as organizações produzir bens de consumo, mas, além disso, fazem também das suas relações, relações de consumo. Quase tudo o que ocorre nos grandes centros urbanos, onde se concentram as organizações é da ordem do excesso e de produção imediata, ou potencialmente imediata. “Time is money”. Uma frase que resume bem a drástica investida de todos os dias, cotidiana, que fazemos por ganhar o que nos faz potenciais consumidores. É de fetiche social no capitalismo ter possibilidade de viver o ideal, o que é da ordem do desejo, mesmo que seja uma falsa ilusão. Todos somos potencialmente realizadores de trabalho e portanto passiveis de auto realização ou de realização com outrem. Mas o que nos é potencial pelo trabalho é material no capitalismo por meio de dinheiro, moeda de troca, o dinheiro é uma ilusão material de infinitas possibilidades no capitalismo. À medida que o homem que não se auto conhece e nem tem possibilidade de fazê-lo, já que  o seu tempo é basicamente para o trabalho excessivo e muitas vezes sem auto satisfação ou satisfação social, pode sofrer e provavelmente ocorrerá isso no seu dia-a-dia. Com a ilusão de satisfação potencial dada pelo dinheiro o homem corre e corre, vendendo seus dias de vida, dando seu sangue e sofrendo para tentar ser feliz.
      As organizações inseridas no modelo de produção capitalista tentam conciliar o modelo capitalista de produção, ou seja, tentam lucrar e por terem responsabilidades constitucionais, ou seja, legais, dar direitos a saúde e bem estar aos trabalhadores organizados e sobre a cobertura de sindicatos, ou seja, cobertos pelas leis. Por terem essa responsabilidade legal as organizações contratam uma seria de profissionais que seriam mediadores ou comunicadores entre os interesses da organização e os interesses dos trabalhadores.
     O psicólogo organizacional e do trabalho é um desses profissionais, na verdade, o psicólogo tenta aliar por meio de técnicas a comunicação do e trabalhador e da organização, mas também faz um trabalho processual de possibilidade de implicação do trabalhador em seus próprios processos pessoais, sejam eles familiares, sociais de outra ordem, organizacionais etc. É verdade que essas instancias se tocam de alguma maneira, já que as relações que acontecem são relações também de afeto, ou seja, tem base emocional. Como conciliar então as demandas das organizações as demandas das pessoas, dos trabalhadores? Essa tarefa é bem complicada, já que o modelo capitalista foi projetado durante anos para favorecer aos grande capitalistas, aos grande burgueses, logo a parte mais prejudicada é a do trabalhador, o explorado demasiadamente e que geralmente sofre com esse modelo. É aí que entra o conciliador. O psicólogo organizacional e do trabalho tenta aliar os interesses da organização, que o paga por isso, portanto, lhe dá uma gama de imperativos com finalidade de gerir um canal de comunicação entre as partes , mantendo o lucro da organização a medida que faz com que os trabalhadores não sucumbam por excesso de trabalho. É claro que com tanta exploração no trabalho excessivo, isso se torna da ordem do impossível, o homem acaba por sucumbi. O sistema capitalista então é um ativador de patologias no trabalho.
       As psicopatologias não são só da ordem do trabalho, que é uma dimensão humana, na verdade são da ordem do afeto, ou seja, os afetos são as vias de comunicação inconsciente das relações humanas. A criança, segundo Freud, segue um “romance familiar” em seu desenvolvimento humano e psicosocial. Logo as relações humanos dos adultos é nada mais que fruto do que se aprendeu na infância e das associações e relação feitas no caminho de amadurecimento individual no coletivo. Com base no seu sofrimento moral e existencial, o homem pode produzir, pode sublimar, eis a chave do que se é transmutado da ordem do afeto para a ordem da produção de capital. O sofrimento então é um sofrimento humano, que é interpretado como sofrimento do trabalho. Eis uma bela metonímia. Portanto o que faz o psicólogo organizacional e do trabalho além de dá uma pílula anestésica a Sísifo, condenado a morte? O homem no sistema capitalista é uma peça na industria do capital, uma peça especifica e com período de validade.
       Os sofrimentos humanos na instancia do trabalho é gerador de patologias, chamamos a isso psicopatologias do trabalho. Psicopatologia, pois as patologias são geradas por afetos, por algo que é da ordem da psique. Mas como acontece essa somatização do sofrimento? A somatização ocorre por meio da interpretação ou entendimento de que é direcionado pelo afeto inconsciente ao corpo. O corpo é o lugar de morada do espírito, da alma, ou seja, é o lugar da sensação, é no corpo que sentimos. Portanto, se algo não vai bem na ordem dos afetos, logo o corpo sinaliza, sintomatiza. O sintoma então é a expressão de um desarranjo afetivo expresso no corpo.
       Nas relações acontece também dessa maneira, pois o corpo humano é especializado para a comunicação, não necessariamente verbal. Os gestos, posturas, caras e comportamentos corporais são formas de comunicação com outrem nas múltiplas relações. Em uma organização não seria diferente. As pessoas interagem entre si e o fazem por manter  ou não a comunicação e por terem ou não objetivos, sejam comuns ou não. Nessas trocas relacionais, nesses encontros relacionais, os trabalhadores organizam-se e desempenham papeis sociais nas organizações.
        Então, as patologias no trabalho, são conseqüências do modo de vida capitalista. Porque então combater conseqüências ao combater as causas das patologias possibilitadas pelos ambientes de produção capitalista? Porque o sistema capitalista se auto gerencia e papeis são designados para que a manutenção das práticas capitalistas sejam reais, de fato. Combater as causas seria nadar contra a corrente nesse grande lado com forte correnteza.
       Na manutenção do que é legal, ou seja, do que é descrito por lei e favorável ao modelo de produção vigente, os psicólogos desenvolvem práticas embasadas em teorias psicológicas. Teorias com caminhos epistemológicos diferenciados, mas com finalidades de tentar fazer com que haja implicação do humano em seus processos pessoais de sofrimento. Algumas teorias fazem além disso afirmar o modo de produção e dão paliativos para que tudo se mantenha da mesma maneira, ou seja, a produção do lucro para as grande empresas e a minimização do sofrimento do trabalhador.
       O psicólogo organizacional e do trabalho é um gestor, um líder, portanto, exerce a liderança e ocupa um lugar privilegiado de fala e escuta no ambiente de trabalho. Com um poder investido tanto pela empresa quando pelo saber poder que é de produção intelectual, os psicólogos utilizam-se se artifícios relacionais para a realização de tratamentos, consultas, analise, dentre outras formas de falar e ouvir, como também de ser ouvido e falado, em seu trabalho, que é organizado também. Logo o psicólogo é um inspetor inspecionado também, se não por outras lideranças, por um sistema legal que também é fiscal. No lugar de gestor o psicólogo pode utilizar de mecanismos como: transferências, rapport, empatia, dentre outros termos, para efetuar a comunicação com o trabalhador organizado. Ao perceber que há desorganização ou desestabilização organizacional de relações ele atua com a finalidade de tentar resolver, de maneira muitas vezes parcial, os conflitos gerados nas dinâmicas das relações organizacionais. Esse trabalho implica essencialmente em perceber a demanda do trabalhador e da organização, desenvolver meios de realização de práticas embasadas em técnicas para que os conflitos sejam postos e problematizados. A resolução parcial ou não é apenas um resultado do processo.
       As dinâmicas terapêuticas, terapias em grupo, atendimento individual, seja apenas por psicólogos ou de maneira multidisciplinar são eficazes no meio organizacional. Por meio de tais práticas pode-se de maneira formal ou informal desenvolver canais de comunicação. Por mais subjetivo que isso pareça, propiciar a comunicação é uma meio de evitar patologias no trabalho. Pois o mal entendimento de situações, a dominação no trabalho, as relações de poder, são comunicações feitas nas relações, são vias de deslocamentos dos afetos, logo, são potenciais propiciadores de psicopatologias. O estresse no trabalho, as broncas do chefe, as longas horas de trabalho, são reformulações morais e legais de troca de trabalho por dinheiro. Como também são formas de sujeitar o corpo a relações de trabalho muitas vezes excessivas e patologizadoras.
       O trabalhador, muitas vezes, diante de tanta subordinação ou de outras formas de relação desproporcionais acaba por desenvolver patologias. Então o que fazer para motivar o trabalhador na organização? A Motivação no trabalho é um tema que talvez seja sempre atual, contudo em dinâmicas diferentes, já que tempos diferentes geram diferenciadas demandas. Como motivar alguém no trabalho, como gerir uma organização onde a comunicação perpassa variadas formas de linguagem, incluindo as comunicações gestuais, por exemplo. Esse questionamento é preciso quando se fala em organização e psicologia organizacional. A motivação está diretamente ligada as vias do prazer e da satisfação, como também do desejo. Motivar o trabalhador também é promover vínculos entre o trabalho e implicação pessoal. 

Hoje, falar em gestão de profissionais em ambiente organizacional é falar em estudo especifico do ambiente interno e externo, social e familiar que se relacionam direta ou indiretamente com a organização e com a produção.  Um modelo de organização que tem como modelo conceitual a sustentabilidade está na moda, ou seja, está de acordo com as novas demandas de mercado e estratégias de gestão no mundo atual. O psicólogo organizacional deve estar antenado aos  processos do mundo do trabalho, todo esse grande esquema é dinâmico e exige atualizações constantes.
        Reformular processos, atualizar-se com as novas dimensões empresariais, estabelecer novos planejamentos pode ser essencial a uma melhor dinâmica organizacional. Comunicação, de fato, é uma das bases para que haja uma boa percepção e intervenção no ambiente organizacional.
       Muitos estudiosos em psicologia tentam desenvolver novas técnicas para tentar promover em praticas o bem estar social, pessoal e prioritariamente empresarial, muitas vezes. Essas técnicas aliam o estudo das psicopatologias e a elaboração pratica de acordo com a necessidade de cada organização, promovendo um clima mais estável quanto possível entre os trabalhadores. Mas como lidar com o sofrimento no trabalho? É  necessário muitas vezes recorrer a situações familiares, situações vinculadas aos afetos familiares.
      Afetos como o amor, o ódio, necessidades fisiológicas e sexuais, são base de relações complexas, portanto, devem ser também objetos de estudo no processo de atenção ao trabalhador. Como ele está no trabalho, como suas necessidades básicas são atendidas, como são as relações de amor e ódio, mesmo não declaradas ocorrem? Os conflitos gerados nas organizações devem ser estudados de maneira minuciosa, já que o lidar com o humano pressupõe lidar com questões também afetivas. As associações dos afetos parentais aos afetos no trabalho são da ordem também do inconsciente,  são relações inconscientes, E isso faz da dinâmica das relações ainda mais detalhada quando se deseja investigar as possíveis causas de possíveis conseqüências, que podem ser sintomas físicos.
       Os vínculos humanos são aprendidos na infância por meio da família, sociedade básica estruturadora do humano. É em casa que se aprende a ser homem, mulher, calmo, agitado, verdadeiro, moral etc. Essas múltiplas dimensões são projetadas na esfera do trabalho. Freud chama de transferência a relação intima entre o sujeito e um outro relacional. Por meio da relação de transferência se pode comunicar não somente com o chefe, mas também com um pai, não somente com a mãe, mas com uma esposa, quem sabe... As relações de transferências podem gerar condições diferenciadas de posicionamento ante o outro também nos rumos do trabalho.

             Emoções e afetos estão na base dos relacionamentos humanos. O humano nasce em uma família e aprende por meio troca de afetos comunicar-se e identificar-se no processo dialético de construção de si mesmo e de inserção no meio social.
Os afetos estão intimamente ligados à sobrevivência do individuo no meio social. Por meio do reconhecimento dos outros e por meio de relações de identificação o humano aprende a lidar em meio ao social.
       As relações de afeto no trabalho.podem ser fruto de “romances familiares”. Não que haja proporção ou repetições de eventos familiares, mas sim de afetos. Já que os afetos são lapidados ao convívio social.
       Repressões, relações de dominação, amor e desinteresse, por exemplo, são da ordem das dinâmicas familiares e que ocorrem um espaço organizacional. Na dimensão do trabalho mudam-se os atores sociais, mas as relações de afeto permanecem e de acordo com o encaminhamento dos afetos, pode ter relações estáveis e instáveis. No ultimo caso é mais delicado, já que isso pode significar uma seria de patologias geradas em ambiente de trabalho.
       O psicólogo que trabalha em uma organização deve está atendo ao seu poder de ação e mobilização dentro de suas possibilidades. Então é necessário ter uma boa formação acadêmica e pessoal acima de tudo, pois na formação pessoal pode-se trabalhar suas próprias demandas, não somente das relações com outrem, mas no auto conhecimento, na formação do processo identitário. A identidade de si por si é formada por meio de auto implicação em processos pessoais que estão na dinâmica social, do trabalho e pessoal, ou seja, subjetiva. Tento o cuidado de si o psicólogo vai poder cuidar de outrem, ou melhor, dar possibilidade de outrem ter cuidado de si também. É preciso também que não se confunda a finalidade de exercício do saber fazer e do saber poder, para que o uso do conhecimento filosófico, cientifico e técnico não seja apenas da reprodução e com finalidade de manutenção apenas do que nos é imposto pelo modelo capitalista de produção. Muitas vezes será necessário remar contra a maré, não em beneficio da organização como prioridade básica, somente, mas como prioridade na saúde mental, afetiva do ser humano. Para que o que é do código de ética e atentes disso o que é constitucional seja de fato cumprido. Ou então a psicologia, como muitas outras ciências de apropriações do conhecimento, vai servir como peça de manutenção desse modelo patologizador em que vivemos. O psicólogo não deve implicar suas técnicas de maneira paliativa ao sofrimento do trabalhador, aliviando a dor e colocando o trabalhador, então, como peça de exploração.  Nosso saber é investido também de responsabilidade social e constitucional. Portanto devemos exercê-la. Essa foi uma síntese breve do processo organizacional e trabalho, onde o psicólogo é inserido e tem ação pratica, contudo dinâmica e muitas vezes revolucionária.

A prática nas organizações e o seu caminho processual: uma experiência em sala de aula.

       Durante o semestre de 2013. 1 Em psicologia organizacional e do trabalho, trabalhamos alguns textos e nos embasamos teoricamente, mas também tivemos algumas práticas em sala de aula que colaboraram para além da percepção individual do que era o conteúdo.
       Às práticas nesse sentido são necessárias, pois aplicar o conteúdo teórico e elaborar um novo entendimento do grupal e individual é necessário, de fato, para se interiorizar no corpo e no intelecto, não de maneira dual, mas unitária o processo de vivencia e entendimento de dinâmicas relacionais, e isso é caminhar no interespaço entre teoria e prática,  para além do que apenas se diz, ler ou se ouve, por exemplo.
       Nesse caminho, as práticas foram essenciais em nossa classe. Principalmente porque algumas demandas da turma eram de ordem relacional prática. Isso, portanto é revelador de que o entendimento é além de teórico, prático.  Aos poucos foram feitas algumas dinâmicas em grupo durante as aulas e nossa sala de aula, que de certo modo é um lugar relacional com dinâmicas próprias e múltiplos entendimentos, uma micro organização. As dinâmicas aconteciam de acordo com algumas demandas que iam surgindo durante as aulas e nos ajudaram a ter outra dimensão de nós mesmo como instituição e como partes participantes dessa.
       O corpo não é apenas um lugar de assentamento do intelecto, e nesse sentido ele tem muito a falar, o corpo tem muitas informações sobre os afetos, sobre formas de lidar de cada um frente a momentos diversos da vida. Então é preciso que se tenha um olhar para além do dualismo mente e corpo. Às práticas são, nesse sentido, positivas ao entendimento mais apurado de determinados fatos. Como poderíamos ter melhor percepção do mundo, do outro e de nós mesmo de maneira corporal relacional? Colocando-se como agente e passivo na ação. Contudo de forma corporal. O corpo é lugar da ação, no falar, no ouvir, no expressar, no receber, nos fluxos de informações do ambiente relacional e natural.
      Por meio de movimentos tranferenciais em salda de aula, por exemplo, muito afetos foram postos à mesa. E então surgiram os desentendimentos, desatenção em relação a demandas dos outros, não percepção do outro de modo organizacional, indiferença ao outro, como também sentimentos de raiva, compaixão, insegurança etc. Saber ler os processos tranferenciais no corpo é, de fato, necessário ao entendimento mais sensível do outro e do ambiente organizacional.
       Nesse sentido, por meio de dinâmicas de grupo ampliamos o nosso olhar para o é uma organização e como podemos nos colocar. O olhar para si é algo importante e  demanda o olhar do outro também. Não por ser o outro o lugar do saber sobre si, não por certo, mas como um lugar diferenciado de si onde se pode perceber formas de se relacionar em meio ao social. A alteridade é realmente um lugar relacional, onde o fora de si é revelador de si. Em dinâmicas feitas em grupo podemos nos questionar de diversas maneiras: Como poderíamos nos comportar diante de tal situação, como nos portamos diante de tais movimentos organizacionais, como nos vemos nas nossas relações, como nos vêem os outros nessas relações, como nossos corpos ses anunciam ante os outros e qual é o efeito gerado na instituição por meio dessas relações, que é um lugar múltiplo? São algumas entre outras muitas questões que eram feitas nas dinâmicas.
        Além do olhar para o outro, existe o olhar para a instituição. Esse olhar nos remete muitas vezes o lugar da lei, o lugar que nos coloca como limitados, pois já existia um código institucional anterior ao ingresso de cada um no grupo. O que não impossibilita a articulação dos membros em renovar alguns lugares instituídos. O que é razoável e acordado entre os participantes da organização que podem flexibilizar algumas regras duras e legais. Não no sentido de se transgredir por transgredir as normas, mas de fazê-lo se for razoável ao entendimento de certos fatos, ao processamento dos mesmos e às demandas da organização. Então é preciso colocar na mesa o que é a instituição e o que pretende também, já que é preciso saber o que se é e o que se faz na instituição para se implicar nisso.
       Tendo em vista os pontos, alteridade e instituição, nas relações, então pode-se ter melhor entendimento de si no processo. Em sala de aula, por exemplo, no semestre corrente de 2013.1, fizemos algumas dinâmicas em grupo. Dinâmicas utilizadas no teatro, psicodrama, bioenergética, mesmo que de maneira introdutória, foram feitas em classe. E na atuação de cada um diante do outro e das problemáticas postas pelo professor, como instituição e por nós alunos, como partes da organização, foram indicadores de problemáticas e pontos de partida para intervenções também. Esse processo nos ajudou a ter melhor compreensão do ser pelo fazer. Por exemplo: Algumas vezes andávamos pela sala de maneira aleatória, como se faz em exercícios de teatro, e nesse exercício nos colocávamos de maneira projetiva, inconsciente, associativa no caminhar pela sala, no caminhar acadêmico de construção com os colegas. O caminhar é de certa forma uma metáfora do trilhar seu caminho, do aprender com o viver, do construir e ser construído. Um movimento dialético, vamos dizer assim. Nosso caminhar era variável, por hora lento, por hora rápido, por hora intencional, por hora sem propósito, além, é claro, dos movimentos de subjetividade de cada um, que poderiam destoar do grupo. Não por ser um erro, mas sim por ser demanda de uma subjetividade. Colocar-se no caminhar com outros e de maneira subjetiva, projetiva, inconsciente e consciente também, nos permitiu elaborar e reelaborar novas formas de relação, de ação e reação . Ao não chocar-se com outros, por exemplo, durante o andar, podemos elaborar em nosso corpo e intelecto novas formas relacionais frente ao outro. O outro seria um obstáculo, um semelhante, um superior, um inferior, um indiferente, um parceiro...? Quem é esse outro e poderíamos nos portar ante ele?  Cada um teria sua percepção, contudo, respeitando o lugar relacional, que de certa forma é institucional. Por meio dessa dinâmica podemos nos colocar melhor na organização, respeitando o lugar dos outros.
       Nas dinâmicas de fala e escuta nos colocamos entre os colegas falando das variadas percepções da disciplina, da instituição, da organização provisória que fizemos para além da já instituída na universidade, ou seja, nos colocamos como sala de aula, o nosso local de encontro e organização também. Como estávamos lidando com as diversas formas de relacionamento, que tipo de relações transferenciais estariam ocorrendo, quem é de fato esse outro, o colega ou o professor e como estou me colocando, eu, nessas relações?  Tivemos a oportunidade de nos questionar, de perceber algumas demandas. É, claro, que de maneira ainda superficial e introdutória, pois muito ainda não foi dito ou desvendado. Contudo demos alguns passos.
       Os conflitos aos poucos iam surgindo em meio ao nosso processo. No inicio, ainda tímidos nos comportávamos para melhor executar o que era proposto. Mas como o caminhar dos textos, discussões e percepções de demandas em classe, exercícios de concentração e percepção, nos enxergamos melhor. Afinal, conseguiríamos ser estritamente legais ou éticos? Penso que o mal estar, descrito por Freud, que nos rodeia é fruto nítido do não cumprimento de normas por si. Então aparecem os tais conflitos. E em cima dos mesmos nos trabalhamos, demos um passo ao entendimento. O entendimento dos acontecimentos e fatos é curativo, ou ao menos ocasionador de vontade ou não de implicação em determinado conflito. Em sala de aula, tivemos colocações, desentendimentos, falas, colocações, ou seja, trocamos algumas informações sobre o que se passava e o que poderia ser feito em grupo e de maneira individual para que o relacionamento organizacional fosse razoável, ou aceitável ou não também.
       Um novo olhar sobre o outro e sobre nós mesmo é essencial para compreensão da relação. Em práticas de terapia em grupo são trabalhadas muitas dimensões subjetivas e grupais de interpretação do que é um ambiente organizacional. Fizemos um pouco disso. A medida que nos trabalhamos e nos percebemos, podemos construir e ser construídos em vista de melhor interpretar os fatos e lidar com eles de novas maneiras. Em dinâmicas onde aparentemente éramos ficcionais e estávamos em exercícios de algo proposto pelo professor, estávamos elaborando simbolicamente novas maneiras de relacionamento e de interpretação e entendimento do que se passava ali na sala, nossa organização. E quiçá também para outras áreas da vida, por certo. O simbólico é um entre-lugar propiciador de novas maneiras de assimilar contextos, conceitos e construtos. As práticas então não são pontos de chegada, não somente são efeitos, como também causas. Eis então os novos campos de possibilidades às novas construções reais e simbólicas da prática.
     As aulas foram importantes por nos mostrar não somente na teoria como também nas práticas o que é uma organização e como podemos lidar com outros nesses lugares. Somos muitos com diversas subjetividades, contudo com ideais, normas, caminhos e possibilidades muitas vezes comuns. O entendimento, mesmo que parcial, desses múltiplos processos intelectuais e corporais nas relações organizacionais e do cotidiano foi e é importante para implicações práticas razoáveis ao bom funcionamento das organizações. Afinal, somos relacionais e, portanto, limitados nos lugares organizacionais. Contudo é importante também, para além de obedecer cegamente o que é proposto perceber-se e implicar-se consigo mesmo em  demandas de vida. Que muitas vezes são ou deveriam ser mais importantes até do que as demandas organizacionais, que por vezes é muito mais reducionista e imperativa ao lucro. Portanto é necessário não esquecer que a vida e o bem estar individual é primordial ao empresarial, sendo mais específico. Logo, acredito que para além de terapias grupais são necessárias escutas individuais por psicólogos como também escutas de si por si mesmo. Isso lembra-me uma frase clássica: “Quem és tu?”. O autoconhecimento, portanto, é uma demanda imediatamente primordial e mesmo que pareça anticapitalista é primordial à vida deve ser prioritária até à emergência ao lucro.
       A matéria psicologia organizacional e do trabalho foi importante para a classe pois nos possibilitou   uma melhor visão do que seriam as práticas nas organizações, partindo do ponto de que somos, de fato, uma organização micro, um lugar de experimentação do macro, sociedade e novas organizações. Podemos nos implicar nos nossos caminhos processuais, Tivemos experiências bem sucedidas em sala de aula. Muitas coisas ficaram no ar, por processar e se entender posteriormente, mas isso é processual e subjetivo. É de cada um.


quinta-feira, 11 de julho de 2013

Motivação no Trabalho e Linguagem do Corpo,Gestualidade Comunicação




         Motivação no trabalho é um tema que talvez seja sempre atual, contudo em dinâmicas diferentes, já que tempos diferentes geram diferenciadas demandas. Como motivar alguém no trabalho, como gerir uma organização onde a comunicação perpassa variadas formas de linguagem, incluindo as comunicações gestuais, por exemplo. Esse questionamento é preciso quando se fala em organização e psicologia organizacional
         Para Feyereisene e Lannoy, a gestualidade pode mostrar se o trabalhador  é motivado ou se é competente, por exemplo. Na verdade a dinâmica de comunicação do corpo gestual é muito mais que a simples decodificação de um gesto. 
         No ambiente de trabalho, o contato corporal, o gestual é informativo ao outro do estado de espírito de alguém. E o é de tal forma que quando alguém está triste, alegre, cansado, isso é logo percebido por alguém e muitas vezes comentado. Estar atento a sinais corporais pode ser um pré-requisito à motivação no trabalho.

 Para Gondim e Silva , as teorias da motivação podem ser classificadas com base em três formas: Por meio das necessidades dos indivíduos pode-se  chegar a uma tomada de decisão. Por meio da motivação, ou seja, do processo motivacional pode-se conseguir uma aproximação ou distância de determinada ação.


Referências

FEYEREISEN, Pierre; LANNOY, Jacques Dominique De.Linguagem do Corpo,gestualidade e comunicação.In :CHANLAT,Jean-François.O indivíduo na organização:dimensões esquecidas.


GONDIM, Sônia Maria Guedes; SILVA, Narbal. Motivação no trabalho. In: BASTOS, A. Virgílio Bittencourt; BORGES-ANDRADE, Jairo Eduardo; ZANELLI, J. Carlos. Psicologia, Organizações e Trabalho no Brasil.


Emoções e afetos no trabalho:


        Emoções e afetos estão na base dos relacionamentos humanos. O humano nasce em uma família e aprende por meio troca de afetos comunicar-se e identificar-se no processo dialético de construção de si mesmo e de inserção no meio social.
Os afetos estão intimamente ligados à sobrevivência do individuo no meio social. Por meio do reconhecimento dos outros e por meio de relações de identificação o humano aprende a lidar em meio ao social.
       As relações de afeto no trabalho são indiscutíveis. Na verdade, são relações que existem em qualquer ambiente social. Não seria diferente numa organização. Ter que lidar com o chefe ou com subordinados, por exemplo, pode está associado à convivência familiar, como um pai ou um irmão. Não que haja proporção ou repetições de eventos familiares, mas sim de afetos. Já que os afetos são lapidados ao convívio social.
       Repressões, relações de dominação, amor e desinteresse, por exemplo, são da ordem das dinâmicas familiares e que ocorrem um espaço organizacional. Na dimensão do trabalho mudam-se os atores sociais, mas as relações de afeto permanecem e de acordo com o encaminhamento dos afetos, pode ter relações estáveis e instáveis. No ultimo caso é mais delicado, já que isso pode significar uma seria de patologias geradas em ambiente de trabalho.

Referência

GONDIM, Sônia Maria Guedes; SIQUEIRA, Mirlene Maria Matias. Emoções e Afetos no Trabalho. In: BASTOS, A. Virgílio Bittencourt; BORGES-ANDRADE, Jairo Eduardo; ZANELLI, J. Carlos. Psicologia, Organizações e Trabalho no Brasil. Porto Alegre: Artmed editora, 2004.P.207-235.

Uma nova visão do sofrimento humano nas organizações e Situação da formação e das atividades de trabalho

 


O universo do trabalho da uma dimensão de si ao homem que pode realizar-se e transformar senão a sua sociedade, contribuir ou até mesmo ser explorado por organizações, por empresas. O sofrimento no trabalho está na relação desproporcional, muitas vezes gerada em organizações em que o lucro é um fim e os meio de produção são levados ao ponto de gerar patologias nos empregados. A grande emergência do mundo capitalista atual contribui definitivamente para o sofrimento no trabalho.

O psicólogo que é também um trabalhador na organização deve estar atento a seus processos e também no processo de gestão no que lhe cabe em uma empresa. Sendo dinâmico, perspicaz,  e contribuindo de maneira a equilibrar os interesses da empresa e do trabalhador, o que inclui a sua própria saúde emocional.



Referências

ZANELLI, José Carlos. Situação da formação e das atividades de trabalho (cap.1). In____O psicólogo nas organizações de trabalho,p.11-43.Artmed Editora,2002.

DEJOURS, Christophe. Uma nova visão do sofrimento humano nas organizações.In :CHANLAT,Jean-François.O indivíduo na organização:dimensões esquecidas.São Paulo:Atlas,19

Pichon Rivière


Enrique Pichon Rivière  nasceu em Genebra, estudou  medicina e se especializaou em Psiquiatria. Pichon modou-se para a Argentina ainda criança onde se formou em Psiquiatria.
 Pichon fundou a Associação Psicanalítica Argentina (APA). Acreditando em uma Psicologia Social desenvolve a teoria do ECRO que significa Esquema Conceitual, Referencial e Operativo. O ECRO pode ser entendido como um sistema de conceitos, teorias e experiências que permite ação e relação com o concreto tanto no âmbito individual quanto no coletivo. Por meio do ECRO se tem percepção individual, coletiva, e diferenciação do outro para operar a realidade. O ECRO é embasado na Psicanálise, Ciências Sociais e Psicologia Social.
.No Ecro, um grupo operativo, está associado ao desempenho de papéis. Os papéis são os seguintes: líder de mudança e líder de resistência, que são contrários entre si. Como também o porta-voz, bode expiatório, sintetizador, coordenador e observador. A partir desse sistema ele desenvolve a dinâmica do que ocorreria em uma organização.

Referências :


O ECRO de Pichon Rivière. 

Atividades Profissionais do Psicólogo e Redefinições Estratégicas nas Organizações.



Hoje, falar em gestão de profissionais em ambiente organizacional é falar em estudo especifico do ambiente interno e externo, social e familiar que se relacionam direta ou indiretamente com a organização e com a produção.  E isso, muitas vezes, implica em mudanças de estratégias. O psicólogo organizacional deve estar antenado nesse processo que é dinâmico.
Reformular processos, se atualizar com as novas dimensões empresariais, estabelecer novos planejamentos pode ser essencial a uma melhor dinâmica organizacional. Comunicação, de fato, é uma das bases para que haja uma boa percepção e intervenção no ambiente organizacional.









Referência:
 ZANELLI, José Carlos.  Atividades Profissionais do Psicólogo e Redefinições Estratégicas nas Organizações (cap.3). In____O psicólogo nas organizações de trabalho.