quinta-feira, 11 de julho de 2013

Pichon Rivière


Enrique Pichon Rivière  nasceu em Genebra, estudou  medicina e se especializaou em Psiquiatria. Pichon modou-se para a Argentina ainda criança onde se formou em Psiquiatria.
 Pichon fundou a Associação Psicanalítica Argentina (APA). Acreditando em uma Psicologia Social desenvolve a teoria do ECRO que significa Esquema Conceitual, Referencial e Operativo. O ECRO pode ser entendido como um sistema de conceitos, teorias e experiências que permite ação e relação com o concreto tanto no âmbito individual quanto no coletivo. Por meio do ECRO se tem percepção individual, coletiva, e diferenciação do outro para operar a realidade. O ECRO é embasado na Psicanálise, Ciências Sociais e Psicologia Social.
.No Ecro, um grupo operativo, está associado ao desempenho de papéis. Os papéis são os seguintes: líder de mudança e líder de resistência, que são contrários entre si. Como também o porta-voz, bode expiatório, sintetizador, coordenador e observador. A partir desse sistema ele desenvolve a dinâmica do que ocorreria em uma organização.

Referências :


O ECRO de Pichon Rivière. 

Atividades Profissionais do Psicólogo e Redefinições Estratégicas nas Organizações.



Hoje, falar em gestão de profissionais em ambiente organizacional é falar em estudo especifico do ambiente interno e externo, social e familiar que se relacionam direta ou indiretamente com a organização e com a produção.  E isso, muitas vezes, implica em mudanças de estratégias. O psicólogo organizacional deve estar antenado nesse processo que é dinâmico.
Reformular processos, se atualizar com as novas dimensões empresariais, estabelecer novos planejamentos pode ser essencial a uma melhor dinâmica organizacional. Comunicação, de fato, é uma das bases para que haja uma boa percepção e intervenção no ambiente organizacional.









Referência:
 ZANELLI, José Carlos.  Atividades Profissionais do Psicólogo e Redefinições Estratégicas nas Organizações (cap.3). In____O psicólogo nas organizações de trabalho.


Trabalho e saúde mental: da pesquisa à ação



A saúde mental no trabalho esta associado aos comportamentos que o trabalhador, mesmo em situações de instabilidade emocional continue exercendo seu trabalho. A Relação de saúde mental e trabalho está também ligado a causas de doenças ou psicopatologias que ocorrem em ambiente de trabalho devido a instabilidades geradas nas relações cotidianas. Para Dejours, o nível patológico deve ser observado como predisposição do trabalhador em desenvolver patologias no trabalho.

O Trabalho e a saúde mental-trabalho não é somente se tangenciam no que diz o saber médico psiquiátrico. Os afetos estão intimamente ligados nesses processos e podem ser cascata para debilidades físicas.

Surge então a necessidade de estudar-se a psicopatologia do trabalho, onde se investiga as possíveis causas de patologias somáticas, porem de origem emocional e relacional no ambiente de trabalho. O individualismo, que é bem comum em nosso cotidiano foi avaliado com grande indicador de psicopatologias.


Referência:                                       
DEJOURS, Christophe. Trabalho e saúde mental (cap.3). In____Psicodinâmica do trabalho.



Relações de transferência na Empresa: Confusões e atritos no processo decisório.



As relações de transferências, Descritas por Freud, são relações de projeção de alguém em relação a outrem que pode exercer alguma influencia. Nas organizações não é diferente, logo, o que é familiar e social essencialmente é organizacional e como tal influencia nas relações empresariais. Quando a transferência é detectada nas relações de trabalho pode-se elaborar melhor a dinâmica organizacional, como também pode-se evitar confusões, atritos, processos decisórios desproporpocionais ou com dano.
A transferência é um fenômeno universal e encontra-se em todas as relações. O indivíduo interpreta sua experiência baseado no passado. Esse passado geralmente trás em si uma memória da função paterna ou alguma associação incosniente de uma relação familiar.
O Texto fala de três tipos de transferência: a primeira é a idealizada, nessa o sujeito quer reencontrar uma felicidade original, uma felicidade perdida. Tem sentimento de união com a pessoa idealizada, perfeita. A segunda é a transferência narcísica, onde o sujeito tem muita vaidade, quer reter as atenções para si, quer ser o centro, tem instabilidade emotiva etc. A terceira é a transferência Percecutória, onde o sujeito pode chegar a ter consequências negativas com  atitudes de hostilidade, masoquismo moral, inveja etc. Essa transferência resulta da reconstituição de antigas emoções em uma situação inoportuna. Como defesa a seu próprio sentimento de perseguição o indivíduo causa dano a outro ou mesmo o ataca. Ou seja, existe muitas conseqüência de uma causa que é tão comum nas relações intersubjetivas, a relação transferencial.

Como a transferência é um fato universal, não poderíamos fugir desse quadro. Um psicólogo organizacional que percebe que há transferências onde há relações desproporcionais e danosas a uma das partes deve intervir no sentido de criar dinâmicas onde as relações possam ser reconfiguradas ou quem sabe percebidas de maneiras diferentes, dando possibilidade de fala e escuta as partes e tentando manter um clima sustentável na organização.

As relações domésticas: entre amor e dominação




     Na psicodinâmica do trabalho não há como separar o que é familiar e o que é social. Ter uma psicopatologia no trabalho é está relacionalmente abalado. Portanto, Desjours, afirma que para a estabilização de toda descompensação  psicopatológica há uma crise de identidade.
      As relações domesticas são relações que o humano levam para sua vida inteira, logo para que se faça uma investigação social deve-se recorrer ao que é familiar. No caos do livro, o autor investiga não o processo de produção, mas a principio o de reprodução, um processo que é de amor e também parra pela esfera do instintual.
       A análise do trabalho nas relações de reprodução é indissociável da analise das relações amorosas, que são de transferência, de poder e também de dominação.
 A identidade de si é algo relacional pois para que o sujeito individualize-se ele deve passar pela alteridade, para que perceba-se pelo olhar do outro, assim dizia Hegel até mesmo antes da psicanálise. Existem, então, barreiras a conquista da identidade. Pois o que é do prazer é individual e o que é social demanda gasto de energia em outras coisas que não são necessariamente individuais. Muitos determinismos e ideologias atrapalham o homem no processo de encontrar-se a si mesmo e isso gera desestabilização e patologias.
      O amor e instinto são vias de se relacionar. Nesse processo é depositado energia, trabalho, afeto, e finalidades. Logo as relações de produção associadas as relações de trabalho são objetos de investigação para entender o que realmente faz com que o homem queira produzir, ou seja, o que levaria o homem a produzir em função de qualquer ilusão que seria da ordem do amor e não meramente do consumo por si só. Todo esse processo é associado ao que é instintivo, o que é relação de poder, o que é vinculo e submissão e como todos esses eventos funcionam na intima ligação do homem com o trabalho, o que é drasticamente diferente do que costuma-se confundir com produção e consumos. Não que a produção com finalidade de consumo e lucro não sejam legitimas, mas a exploração excessiva necessariamente gera psicopatologias.




Referência:                                       

DEJOURS, Christophe. Trabalho e saúde mental (cap.13). In____Psicodinâmica do trabalho.

Entre sofrimento e reapropriação: O sentido do trabalho



As relações de trabalho nas organizações são intimamente relacionadas às novas tecnologias e novas formas de produção e relação no trabalho.  Ter saúde no trabalho implica em aliar processos social com processos de identidade. Portanto, os sentidos do trabalho são dados por cada trabalhador na organização e o entendimento do que é trabalhar, do que é uma organização e de como relacionar-se com outrem no dia-a-dia é um processo árduo e que demanda muita atenção e comunicação.
 Ter saúde e prazer no trabalho são conseqüência de estar bem consigo mesmo, logo, o auto conhecimento é essencial para que haja estabilidade no trabalho. Para Dejours, o trabalho implica sempre um confronto com o real. E nas relações de Saber-fazer existe vários processos subjetivos que geram situações muitas vezes problemáticas no trabalho.
O trabalho é um âmbito de uma série de relações intersubjetivas. Então como não afetar-se a si mesmo em diversas relações de trabalho e enfim gerar psicopatologias? A psicodinâmica  do individuo não só frente à organização, mas consigo mesmo deve perpassar pelo entendimento de si e dos outros, ou seja, da comunicação.
Comunicar-se é essencial não só para trabalhar e relacionar-se com familiares, mas para tentar gerar uma boa compreensão na transmissão do que quer se comunicar e do que será entendido. Uma má comunicação certamente é geradora de desentendimento e enfim de desestabilização do sujeito. Desestabilização que pode ser patológica ao ponto de gerar doenças, doenças, portanto, geradas no processo de trabalhar em uma organização, mas com lugar de causa no processo de transação de afetos, muitas vezes.
Nas organização, comunicar-se é essencial tanto ao funcionamento da organização quanto ao bom relacionamento entre os trabalhadores. Ousar ouvir e ousar escutar são estratégias de melhoramento na comunicação. Essa estratégia é fundamental para que seja diminuída as patologias ligadas ao trabalho. Os encontros informais também são válidos para melhor relacionamento informal, ou seja, relacionamento onde o outro não está no lugar investido pela empresa, lugar de poder, mas lugar onde está diante de outrem, dependendo da abertura para comunicação,o o lugar investido pela empresa, lugar de poder, mas lugar onde estou diante de outrem dependendo da abertura para comunicação mas não como um chefe ou algo do tipo, mas como um semelhante. Essa relação informal aumenta os laços entre os organizados, gerando melhor comunicação, melhor entendimento do outro, melhor compreensão de quem é outro. Tudo isso gera prazer no trabalho e reduz a freqüência de psicopatologias relacionadas ao trabalho.

Referência:                                       
DEJOURS, Christophe. Trabalho e saúde mental (cap.12). In____Psicodinâmica do trabalho.



terça-feira, 2 de julho de 2013

Fora de controle



Poder e influencias são pontos principais para se conseguir bons resultados. Essa é a temática de partida do filme. Esse filme metalinguístico fala sobre o processo de produção de um grande filme, onde atores, produtores, investidores e autores se veem diante de um emaranhado de relações de poder onde o dinheiro é senão o único o maior estimulador de bons resultados numa produção.
Mudanças nas posições de poder são observadas em um grande jogo de interesses, onde vaidade, amor, lucro e expectativas estão em jogo. Em uma grande produção os nomes aparecem nos filmes e é preciso que se tenha um bom desempenho para que as expectativas sejam convertidas em bons números, ou seja, em bons.
Ben ,o produtor do filme Furiosa mente, é o personagem principal do filme e tem uma vida conturbada, cheia de trabalho e além disso muitas pessoas demandam sua atenção, seja no trabalho, seja em suas relações familiares com a ex-esposa e filhos .
Na pré-estreia do filme furiosa mente, Bem se mistura ao público. Ele quer saber qual a recepção do público ao seu produto. No final da exibição Bem observa as faces dos espectadores que eram diversas: de interesse, sono, espanto, concentração, dispersão etc. Bem percebe, porém, que um pequeno detalhe no final do filme impactou os espectadores. A morte brutal do ator e de um cachorro a tiros choca o público. Seus expectadores queriam, talvez, um final feliz. Logo, isso não ocorre no filme, onde o ator principal e o cão morrem em uma cena bem impactante.
Esse filme foi escrito e dirigido por Jerremy Brunell, um diretor de grande instabilidade emocional e que resiste em mudar o final do filme, mesmo sabendo que a expectativa do público seria de outro final para o filme. Jerremy não pensa em mudar o fim do filme por agradar o público alegando que aquilo é uma montagem artística e deveria ser aceita como tal. Há uma subjetividade artística em tal cena para Jerremy.  Contudo no final do teste de exibição do filme são distribuídas algumas fichas de avaliação do filme. Bons filmes geram bons “números”. Muitos espectadores satisfeitos geram lucro e mais investimentos para produções posteriores.  Por isso eles fazem tal análise estatística. Mas para Bem, a cara dos expectadores não são boas.
Após a exibição do filme, ao entrar no banheiro, Ben, ouve a conversa de dois espectadores também ligados ao ramo de cinema, E os comentários foram terríveis, foram irônicos etc. Tais comentários as vezes revelam a verdadeira intenção dos espectadores, mas muitas vezes também são intrigas da oposição. Isso deixa Bem intrigado e ansioso, contudo ainda mantem seriedade e boa aparência pública.
Ansioso com o resultado parciais, vistos até então, no caminho de casa, Ben acaba por parar o carro em meio a estrada e olha os resultados de avaliação, ou seja, a Crítica feita por meio dos espectadores após a exibição do filme. Nas fichas que foram distribuída, os comentários são diversos e muitos desfavoráveis. Isso deixa Ben, ainda mais tenso e ansioso quanto ao filme e sua aceitação pelo público, afinal isso pode gerar poucos ou muitos “números” na estreia.
Tudo isso abala Ben como profissional. As suas emoções estão em “alta”. Contudo Ben parece ainda muito confiante diante de críticas ácidas. Críticas são Críticas. Boas ou ruins revelam interesse do público, ou seja, “números”. Ainda nessa manha de quarta-feira, lendo o Jornal e conversando com um amigo, Ben vê uma notícia Fria e bárbara estampada em primeira página sobre um suicídio de algum conhecido do ramo. Ben leva isso como algo possível de se acontecer e a notícia não o abala.  Ainda nessa manhã, Ben vai na casa de sua ex-mulher para pegar as crianças e levar ao colégio. Ao encontrar sua ex-esposa eles falam sobre uma terapia de casal que vão fazer para que haja uma melhor relação pós separação entre ambos. Ben como sempre é bem receptivo a ideias de outros, ele é um homem que sabe aliar interesses pessoais e coletivos e além disso sabe se abster de certas situações em prol de resolver problemas. A terapia foi uma boa decisão toma por Ben, até porque existe além dele a sua ex e seus filhos envolvidos nessa nova dinâmica pós separação
A todo instante Bem tem que resolver um grande problema, mas as coisas paracem ficar caba vez mais fora de controle para ele. Bem fica sabendo por telefonema que um dos atores, Bruce, um astro do cinema se recusa a tirar a barba para fazer o filme, além do mais seu comportamento é desordenado, descontrolado, não convencional. Isso preocupa Ben que acaba de ganhar mais um probleminha. Durante os ensaios do filme ligam para Ben e reclamam sobre sua irresponsabilidade no trabalho. O que não é bem verdade já que ele depende de convencer a outras pessoas do que seria bom para atender a expectativa de um público, mas ele geralmente não consegue. Ben tem boas ideias mas não consegue executa-las porque as pessoas são muitas inflexíveis em suas decisões o deixando cada vez mais fora de controle.  “Ele não fez a barba”, disseram sobre Bruce em um dos ensaios. Porém não é somente isso que está preocupando Ben. Na verdade é o resultado que virá do público e em fim o dinheiro, mas seria preciso modificar a cena final, a morte do cachorro realmente modificaria os resultados.
Eis então uma chance de ter bons números, mas para isso Jeremy teria que modificar o final do filme. A princípio ele não gosta disso e afirma: “as minhas entranhas estão aí, Ben”, ou seja, aquilo faz sentido em sua mente, ele não está disposto a mudar. Contudo a subjetividade de Jerremy não é clichê e isso pode ser aterrorizante metaforicamente e literalmente falando. As pessoas gostam de finais felizes e evitar a morte do cachorro seria dar um final feliz ao filme.
Como se não bastasse tudo estar fora de controle, Ben reencontra sua mulher e por conta do trabalho não lhe dá a atenção devida. Kelly então vai embora irritada com Ben. Conciliar as relações de trabalho e as relações familiares está sendo difícil para Ben. E tudo isso está o deixando mais e mais fora de controle.
Na sala de edição do filme, em um belo dia, Ben tenta controlar Jeremy com remédios e ao mesmo tempo convence-lo a dar um bom final para o filme. Mas era cada vez mais difícil. Como se não bastasse tinha também que convencer Bruce a mudar a aparência, o ator faz parte da expectativa do filme, pois o público quer uma imagem comercial e para isso Bruce teria que tirar a barba. Aí também Bem falha.
 Discutir sobe preferencias, princípios, o que é ou não rentável, tudo isso faz parte de uma grande trama de ideais e também de transações econômicas. As tendências querem ser satisfeitas para dar bons números. Ben sabe disso e tenta lidar com tudo isso da melhor maneira possível. Modificar alguns probleminhas e focar no rumo do sucesso financeiro do filme é sua meta. Contudo tem sido difícil para Ben, principalmente por que tem que dar conta também de sua família.
 Após um dia cheio de preocupações, Ben vai à sala de edição do filme e o próprio Jeremy mudou o filme e refez o final, o que seria da expectativa do público.  Com um dos problemas resolvidos ele ficou mais aliviado. Com o começo da terapia de casal e arrumando tempo para kelly. Ben começava a cuidar de sua vida familiar. Outra área de sua vida estava começando a se estabilizar, mas isso era gradativo e com empenho das partes participantes no processo.   
No fim do filme, o tão esperado festival de Cannes. As expectativas eram muitas em relação ao grande final do filme. Mas Jeremy só fez agravar o que já era algo “absurdo” de acordo com a expectativa, matou o ator principal e o cachorro, com mais crueldade do que a primeira edição. Isso deixou Ben desapontado. O produto de seu trabalho não foi o esperado.
 Contudo, com sua ex-esposa consegue dar bons passos para uma relação saudável, mesmo ainda atolado em questões do trabalho. Ben é um otimista apesar de muitas coisas não estarem bem em sua volta. Ele é um bom líder e sabe exercer sua liderança em algumas áreas de sua vida, mas isso não quer dizer que terá o controle das situações da vida, pois nem tudo depende de sua vontade, de seus desejos e de seu controle. Outras pessoas fazem parte de inúmeras relações diretas ou indiretas a ele. Mas como um bom líder, Ben, usa sua vasta experiência e mante-se disposto em um jogo onde muitos ganham e muitos perdem a todo momento, o jogo da vida. Um jogo muitas vezes fora de controle.