terça-feira, 2 de julho de 2013

Fora de controle



Poder e influencias são pontos principais para se conseguir bons resultados. Essa é a temática de partida do filme. Esse filme metalinguístico fala sobre o processo de produção de um grande filme, onde atores, produtores, investidores e autores se veem diante de um emaranhado de relações de poder onde o dinheiro é senão o único o maior estimulador de bons resultados numa produção.
Mudanças nas posições de poder são observadas em um grande jogo de interesses, onde vaidade, amor, lucro e expectativas estão em jogo. Em uma grande produção os nomes aparecem nos filmes e é preciso que se tenha um bom desempenho para que as expectativas sejam convertidas em bons números, ou seja, em bons.
Ben ,o produtor do filme Furiosa mente, é o personagem principal do filme e tem uma vida conturbada, cheia de trabalho e além disso muitas pessoas demandam sua atenção, seja no trabalho, seja em suas relações familiares com a ex-esposa e filhos .
Na pré-estreia do filme furiosa mente, Bem se mistura ao público. Ele quer saber qual a recepção do público ao seu produto. No final da exibição Bem observa as faces dos espectadores que eram diversas: de interesse, sono, espanto, concentração, dispersão etc. Bem percebe, porém, que um pequeno detalhe no final do filme impactou os espectadores. A morte brutal do ator e de um cachorro a tiros choca o público. Seus expectadores queriam, talvez, um final feliz. Logo, isso não ocorre no filme, onde o ator principal e o cão morrem em uma cena bem impactante.
Esse filme foi escrito e dirigido por Jerremy Brunell, um diretor de grande instabilidade emocional e que resiste em mudar o final do filme, mesmo sabendo que a expectativa do público seria de outro final para o filme. Jerremy não pensa em mudar o fim do filme por agradar o público alegando que aquilo é uma montagem artística e deveria ser aceita como tal. Há uma subjetividade artística em tal cena para Jerremy.  Contudo no final do teste de exibição do filme são distribuídas algumas fichas de avaliação do filme. Bons filmes geram bons “números”. Muitos espectadores satisfeitos geram lucro e mais investimentos para produções posteriores.  Por isso eles fazem tal análise estatística. Mas para Bem, a cara dos expectadores não são boas.
Após a exibição do filme, ao entrar no banheiro, Ben, ouve a conversa de dois espectadores também ligados ao ramo de cinema, E os comentários foram terríveis, foram irônicos etc. Tais comentários as vezes revelam a verdadeira intenção dos espectadores, mas muitas vezes também são intrigas da oposição. Isso deixa Bem intrigado e ansioso, contudo ainda mantem seriedade e boa aparência pública.
Ansioso com o resultado parciais, vistos até então, no caminho de casa, Ben acaba por parar o carro em meio a estrada e olha os resultados de avaliação, ou seja, a Crítica feita por meio dos espectadores após a exibição do filme. Nas fichas que foram distribuída, os comentários são diversos e muitos desfavoráveis. Isso deixa Ben, ainda mais tenso e ansioso quanto ao filme e sua aceitação pelo público, afinal isso pode gerar poucos ou muitos “números” na estreia.
Tudo isso abala Ben como profissional. As suas emoções estão em “alta”. Contudo Ben parece ainda muito confiante diante de críticas ácidas. Críticas são Críticas. Boas ou ruins revelam interesse do público, ou seja, “números”. Ainda nessa manha de quarta-feira, lendo o Jornal e conversando com um amigo, Ben vê uma notícia Fria e bárbara estampada em primeira página sobre um suicídio de algum conhecido do ramo. Ben leva isso como algo possível de se acontecer e a notícia não o abala.  Ainda nessa manhã, Ben vai na casa de sua ex-mulher para pegar as crianças e levar ao colégio. Ao encontrar sua ex-esposa eles falam sobre uma terapia de casal que vão fazer para que haja uma melhor relação pós separação entre ambos. Ben como sempre é bem receptivo a ideias de outros, ele é um homem que sabe aliar interesses pessoais e coletivos e além disso sabe se abster de certas situações em prol de resolver problemas. A terapia foi uma boa decisão toma por Ben, até porque existe além dele a sua ex e seus filhos envolvidos nessa nova dinâmica pós separação
A todo instante Bem tem que resolver um grande problema, mas as coisas paracem ficar caba vez mais fora de controle para ele. Bem fica sabendo por telefonema que um dos atores, Bruce, um astro do cinema se recusa a tirar a barba para fazer o filme, além do mais seu comportamento é desordenado, descontrolado, não convencional. Isso preocupa Ben que acaba de ganhar mais um probleminha. Durante os ensaios do filme ligam para Ben e reclamam sobre sua irresponsabilidade no trabalho. O que não é bem verdade já que ele depende de convencer a outras pessoas do que seria bom para atender a expectativa de um público, mas ele geralmente não consegue. Ben tem boas ideias mas não consegue executa-las porque as pessoas são muitas inflexíveis em suas decisões o deixando cada vez mais fora de controle.  “Ele não fez a barba”, disseram sobre Bruce em um dos ensaios. Porém não é somente isso que está preocupando Ben. Na verdade é o resultado que virá do público e em fim o dinheiro, mas seria preciso modificar a cena final, a morte do cachorro realmente modificaria os resultados.
Eis então uma chance de ter bons números, mas para isso Jeremy teria que modificar o final do filme. A princípio ele não gosta disso e afirma: “as minhas entranhas estão aí, Ben”, ou seja, aquilo faz sentido em sua mente, ele não está disposto a mudar. Contudo a subjetividade de Jerremy não é clichê e isso pode ser aterrorizante metaforicamente e literalmente falando. As pessoas gostam de finais felizes e evitar a morte do cachorro seria dar um final feliz ao filme.
Como se não bastasse tudo estar fora de controle, Ben reencontra sua mulher e por conta do trabalho não lhe dá a atenção devida. Kelly então vai embora irritada com Ben. Conciliar as relações de trabalho e as relações familiares está sendo difícil para Ben. E tudo isso está o deixando mais e mais fora de controle.
Na sala de edição do filme, em um belo dia, Ben tenta controlar Jeremy com remédios e ao mesmo tempo convence-lo a dar um bom final para o filme. Mas era cada vez mais difícil. Como se não bastasse tinha também que convencer Bruce a mudar a aparência, o ator faz parte da expectativa do filme, pois o público quer uma imagem comercial e para isso Bruce teria que tirar a barba. Aí também Bem falha.
 Discutir sobe preferencias, princípios, o que é ou não rentável, tudo isso faz parte de uma grande trama de ideais e também de transações econômicas. As tendências querem ser satisfeitas para dar bons números. Ben sabe disso e tenta lidar com tudo isso da melhor maneira possível. Modificar alguns probleminhas e focar no rumo do sucesso financeiro do filme é sua meta. Contudo tem sido difícil para Ben, principalmente por que tem que dar conta também de sua família.
 Após um dia cheio de preocupações, Ben vai à sala de edição do filme e o próprio Jeremy mudou o filme e refez o final, o que seria da expectativa do público.  Com um dos problemas resolvidos ele ficou mais aliviado. Com o começo da terapia de casal e arrumando tempo para kelly. Ben começava a cuidar de sua vida familiar. Outra área de sua vida estava começando a se estabilizar, mas isso era gradativo e com empenho das partes participantes no processo.   
No fim do filme, o tão esperado festival de Cannes. As expectativas eram muitas em relação ao grande final do filme. Mas Jeremy só fez agravar o que já era algo “absurdo” de acordo com a expectativa, matou o ator principal e o cachorro, com mais crueldade do que a primeira edição. Isso deixou Ben desapontado. O produto de seu trabalho não foi o esperado.
 Contudo, com sua ex-esposa consegue dar bons passos para uma relação saudável, mesmo ainda atolado em questões do trabalho. Ben é um otimista apesar de muitas coisas não estarem bem em sua volta. Ele é um bom líder e sabe exercer sua liderança em algumas áreas de sua vida, mas isso não quer dizer que terá o controle das situações da vida, pois nem tudo depende de sua vontade, de seus desejos e de seu controle. Outras pessoas fazem parte de inúmeras relações diretas ou indiretas a ele. Mas como um bom líder, Ben, usa sua vasta experiência e mante-se disposto em um jogo onde muitos ganham e muitos perdem a todo momento, o jogo da vida. Um jogo muitas vezes fora de controle.  


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