quinta-feira, 11 de julho de 2013

As relações domésticas: entre amor e dominação




     Na psicodinâmica do trabalho não há como separar o que é familiar e o que é social. Ter uma psicopatologia no trabalho é está relacionalmente abalado. Portanto, Desjours, afirma que para a estabilização de toda descompensação  psicopatológica há uma crise de identidade.
      As relações domesticas são relações que o humano levam para sua vida inteira, logo para que se faça uma investigação social deve-se recorrer ao que é familiar. No caos do livro, o autor investiga não o processo de produção, mas a principio o de reprodução, um processo que é de amor e também parra pela esfera do instintual.
       A análise do trabalho nas relações de reprodução é indissociável da analise das relações amorosas, que são de transferência, de poder e também de dominação.
 A identidade de si é algo relacional pois para que o sujeito individualize-se ele deve passar pela alteridade, para que perceba-se pelo olhar do outro, assim dizia Hegel até mesmo antes da psicanálise. Existem, então, barreiras a conquista da identidade. Pois o que é do prazer é individual e o que é social demanda gasto de energia em outras coisas que não são necessariamente individuais. Muitos determinismos e ideologias atrapalham o homem no processo de encontrar-se a si mesmo e isso gera desestabilização e patologias.
      O amor e instinto são vias de se relacionar. Nesse processo é depositado energia, trabalho, afeto, e finalidades. Logo as relações de produção associadas as relações de trabalho são objetos de investigação para entender o que realmente faz com que o homem queira produzir, ou seja, o que levaria o homem a produzir em função de qualquer ilusão que seria da ordem do amor e não meramente do consumo por si só. Todo esse processo é associado ao que é instintivo, o que é relação de poder, o que é vinculo e submissão e como todos esses eventos funcionam na intima ligação do homem com o trabalho, o que é drasticamente diferente do que costuma-se confundir com produção e consumos. Não que a produção com finalidade de consumo e lucro não sejam legitimas, mas a exploração excessiva necessariamente gera psicopatologias.




Referência:                                       

DEJOURS, Christophe. Trabalho e saúde mental (cap.13). In____Psicodinâmica do trabalho.

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