Na psicodinâmica do trabalho não há como
separar o que é familiar e o que é social. Ter uma psicopatologia no trabalho é
está relacionalmente abalado. Portanto, Desjours, afirma que para a
estabilização de toda descompensação
psicopatológica há uma crise de identidade.
As relações domesticas são relações que o
humano levam para sua vida inteira, logo para que se faça uma investigação
social deve-se recorrer ao que é familiar. No caos do livro, o autor investiga
não o processo de produção, mas a principio o de reprodução, um processo que é
de amor e também parra pela esfera do instintual.
A
análise do trabalho nas relações de reprodução é indissociável da analise das
relações amorosas, que são de transferência, de poder e também de dominação.
A identidade de si é algo relacional pois para
que o sujeito individualize-se ele deve passar pela alteridade, para que
perceba-se pelo olhar do outro, assim dizia Hegel até mesmo antes da
psicanálise. Existem, então, barreiras a conquista da identidade. Pois o que é
do prazer é individual e o que é social demanda gasto de energia em outras
coisas que não são necessariamente individuais. Muitos determinismos e
ideologias atrapalham o homem no processo de encontrar-se a si mesmo e isso
gera desestabilização e patologias.
O amor e instinto são vias de se
relacionar. Nesse processo é depositado energia, trabalho, afeto, e
finalidades. Logo as relações de produção associadas as relações de trabalho
são objetos de investigação para entender o que realmente faz com que o homem
queira produzir, ou seja, o que levaria o homem a produzir em função de
qualquer ilusão que seria da ordem do amor e não meramente do consumo por si
só. Todo esse processo é associado ao que é instintivo, o que é relação de
poder, o que é vinculo e submissão e como todos esses eventos funcionam na
intima ligação do homem com o trabalho, o que é drasticamente diferente do que
costuma-se confundir com produção e consumos. Não que a produção com finalidade
de consumo e lucro não sejam legitimas, mas a exploração excessiva
necessariamente gera psicopatologias.
Referência:
DEJOURS,
Christophe. Trabalho e saúde mental (cap.13). In____Psicodinâmica do
trabalho.
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